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ERC publica Relatório sobre eleições presidenciais 2021 nas televisões
2021/06/17

Regulador avaliou a cobertura jornalística dos noticiários de horário nobre dos generalistas

ERC publica Relatório sobre eleições presidenciais 2021 nas televisões

 

A ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social acaba de publicar um Relatório sobre a cobertura jornalística das eleições presidenciais de 2021 pelos blocos informativos das 20/21 horas dos serviços de programas generalistas RTP1, RTP2, SIC, TVI e CMTV, respetivamente, Telejornal, Jornal 2, Jornal da Noite, Jornal Nacional e CM Jornal 20h no período da campanha eleitoral: 10 de janeiro a 22 de janeiro de 2021 (excluindo o dia de reflexão e o dia do próprio ato eleitoral – 24 de janeiro).

O objetivo da análise é a identificação das presenças das candidaturas às presidenciais, caracterizar a atenção destes blocos noticiosos a cada candidato e o reconhecimento de eventuais desequilíbrios no seu acesso ao espaço mediático. 

Além do registo das presenças, a ERC considerou também o enfoque temático com que estes órgãos de comunicação social cobriram a campanha eleitoral. Em janeiro de 2021, o contexto era o da pandemia de COVID-19, com impacto na sua abordagem pelos candidatos.

Recorde-se que em períodos eleitorais, a ERC acompanha com redobrada atenção a cobertura mediática da informação sobre política nacional por considerar serem aqueles em que a observância do princípio do pluralismo político-partidário assume particular relevância.

Em baixo, enumeram-se os principais dados, agrupados por operador, que a ERC extraiu das 455 peças analisadas.

 

Na RTP1:

  • São contabilizadas 93 peças com a presença de candidaturas às eleições presidenciais que representam 22% do tempo total dos noticiários analisados.
  • Estas são maioritariamente peças de géneros informativos (97,8%), sendo raros os comentários ou outras peças de opinião (2,2%).
  • A maioria dos diretos, 8,6% do total de peças, resulta da cobertura das ações de encerramento da campanha dos candidatos e de uma peça do local do debate com os sete candidatos, em 12 de janeiro de 2021.
  • Verifica-se a presença /referência de todos os candidatos à Presidência da República, com destaque para Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura.
  • As candidaturas com maior número de presenças são também as que são mais vezes criticadas sem hipótese de contraporem a sua posição na mesma peça, e portanto sem voz, situação mais frequente em número de peças para o recandidato Marcelo Rebelo de Sousa. Apesar desta característica, a generalidade dos candidatos tende a ser representados com voz, isto é, a sua mensagem é veiculada, tanto em discurso direto como indireto. Tiago Mayan e Vitorino Silva são os únicos que surgem exclusivamente através de quem fala ou de quem se fala, com ou sem voz, e sempre sem críticas.
  • Os candidatos à Presidência da República são quase sempre os protagonistas das peças. É residual o número das peças em que é realçado o porta-voz da campanha.
  • As duas candidatas do sexo feminino, Ana Gomes e Marisa Matias, são referidas em menos de um terço das peças.
  • O tema mais abordado na campanha eleitoral é a cobertura do posicionamento dos candidatos em relação à ação do Governo e do Presidente da República durante o estado de emergência. Um segundo grupo engloba as ações de campanha, presenciais e por via digital, sem tema específico e vocacionadas para o apelo ao voto. Os modelos de campanha e as apreciações do desempenho de cada candidato, as suas ações e declarações, agregam o terceiro patamar de número de peças e, o quarto, as manifestações de apoio ou reprovação, estas a partir dos incidentes nos congressos e arruadas do candidato André Ventura. Em quinto lugar, a abordagem do Telejornal das propostas dos candidatos destacam os direitos laborais e apoios sociais durante a pandemia e a luta contra a corrupção.

 

Na RTP2:

  • São analisadas 79 peças com a presença de candidaturas às eleições presidenciais que representam cerca de 20% do tempo total dos noticiários analisados.
  • Estas são maioritariamente peças de géneros informativos (96,8%), sendo raros os comentários ou peças de análise (3,2%).
  • A cobertura da campanha para as presidenciais nunca foi feita com recurso ao direto.
  • Verifica-se a presença /referência aos sete candidatos à Presidência da República, com destaque para Marcelo Rebelo de Sousa, André Ventura e Ana Gomes.
  • À exceção das candidaturas de Vitorino Silva e de Tiago Mayan, as restantes são alvo de críticas sem hipótese de resposta na mesma peça, situação que afeta um maior número de peças sobre a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.
  • Os candidatos tendem a ser representados com voz, em discurso direto como indireto, exceto Marcelo Rebelo de Sousa, referido sem voz em maior número de peças.
  • Os candidatos à Presidência da República são os protagonistas da totalidade das peças.
  • As duas candidatas do sexo feminino, Ana Gomes e Marisa Matias, são referidas em menos de um terço das peças.
  • As peças do Jornal 2 centram-se na descrição das ações de campanha através das visitas dos candidatos, sem enfoque em propostas, o apelo ao voto e debate do modelo de campanha. Num segundo grupo, o Jornal2 salienta os posicionamentos dos candidatos/apreciação acerca das opções do Governo durante a pandemia, apreciações mútuas entre candidatos e críticas ao Presidente da República. O eventual adiamento das eleições e as medidas de proteção definidas pela Direção-Geral da Saúde no dia da votação, incidentes durante a campanha de André Ventura, as propostas para o Serviço Nacional de Saúde, os direitos laborais e apoios sociais, a luta contra a corrupção, o sistema político e a democracia compõem o último grupo de temas.

 

Na SIC:

  • Verifica-se a transmissão de 117 peças com a presença de candidaturas às eleições presidenciais que representam cerca de 25% do tempo total dos noticiários analisados.
  • São quase sempre peças informativas (57,3% notícias, reportagens e vox-pop), 41% incluídas na rubrica “Polígrafo”, e há uma percentagem residual de comentários (1,7%).
  • A cobertura da campanha para as presidenciais foi feita sem recurso a diretos.
  • Há uma amplitude acentuada entre a candidatura mais referida (52 presenças/referências), a de André Ventura e a menos referida, a de Vitorino Silva (12 presenças/referências), ainda que seja garantida a presença das sete.
  • As candidaturas mais presentes são também as que mais vezes são criticadas sem contraporem a sua posição na mesma peça, situação mais frequente em relação ao recandidato Marcelo Rebelo de Sousa e que não se verifica nos dos candidatos João Ferreira e Tiago Mayan Gonçalves.
  • Os candidatos tendem a ser representados com voz, em discurso direto ou indireto, mas André Ventura, Marcelo Rebelo de Sousa e Vitorino Silva são representados sem voz num maior número de peças.
  • Os candidatos à Presidência da República são quase sempre os protagonistas das peças e, num número residual delas, é realçado o porta-voz ou o assessor da campanha.
  • As duas candidatas do sexo feminino, Ana Gomes e Marisa Matias, são referidas em menos de um terço das peças.
  • O tema mais abordado na campanha eleitoral é o da desinformação, promovida pelo número de peças da rubrica “Polígrafo”. Num segundo grupo, estão peças centradas em apreciações sobre o desempenho dos candidatos e manifestações de apoio por notáveis dos partidos. Em terceiro lugar, são salientadas as ações de campanha a partir das visitas dos candidatos, sem propostas concretas e para apelo ao voto, o debate acerca do modelo de campanha e as críticas a Marcelo Rebelo de Sousa. Nas peças sobre propostas destacam-se aquelas acerca do Serviço Nacional de Saúde, os direitos e apoios sociais e as posições sobre a ação do Governo no contexto da pandemia. A possibilidade de adiamento das eleições, a proteção da saúde pública no dia da votação e a necessidade de investimento das forças de segurança e proteção civil são os temas menos frequentes nos alinhamentos deste bloco da SIC.

 

Na TVI:

  • Há 98 peças com a presença de candidaturas às eleições presidenciais que representam cerca de 27% do tempo total dos noticiários analisados.
  • Estas são maioritariamente peças informativas (78,6%), além de 19,4% integradas em rubricas e um por cento de entrevistas e de comentários.
  • Os 13,3% de diretos são para os encerramentos de campanha de todos os candidatos.
  • Verifica-se a presença /referência dos sete candidatos à Presidência da República, com destaque para Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura.
  • As candidaturas com mais presenças são também as mais vezes são criticadas sem hipótese de contraporem a sua posição na mesma peça, à exceção de Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva. Quase todos os candidatos são representados com voz, tanto em discurso direto como indireto, mas o recandidato à Presidência da República é representado sem voz em mais de metade das peças.
  • Os candidatos são quase sempre os protagonistas das peças. É residual o número daquelas em que é realçado o secretário-geral do partido apoiante das candidaturas, casos das de João Ferreira João Ferreira, Marisa Matias e Tiago Mayan.
  • As duas candidatas do sexo feminino, Ana Gomes e Marisa Matias, são referidas em menos de um terço das peças.
  • O tema mais abordado na campanha eleitoral pelo Jornal das 8 é o posicionamento dos candidatos acerca da ação do Governo no contexto da pandemia e, na mesma proporção, os perfis dos candidatos a partir de perguntas aos próprios na rubrica “Respostas Imperfeitas”. A descrição de ações de campanha, através das visitas dos candidatos, sem foco num assunto ou em propostas concretas, para apelo ao voto, compõe um segundo grupo de temas. O terceiro grupo centra-se na cobertura das manifestações e os incidentes nos congressos e arruadas do candidato André Ventura, os posicionamentos sobre o desempenho do Presidente da República, as apreciações mútuas das candidaturas e declarações de apoio a candidaturas. Os temas presentes em menor proporção no alinhamento do Jornal das 8 são o Serviço Nacional de Saúde, direitos e apoios sociais, e os direitos laborais (combate à precariedade).

 

Na CMTV:

  • São identificadas 68 peças com a presença de candidaturas às eleições presidenciais que representam 18% do tempo total dos noticiários analisados.
  • Estas são maioritariamente peças informativas, destacando-se a existência de entrevistas (8,8%) e comentários (5,9%) neste bloco.
  • A cobertura da campanha para as presidenciais nunca foi feita com recurso ao direto.
  • Verifica-se a presença/referência dos sete candidatos à Presidência da República, com destaque para Marcelo Rebelo de Sousa e, um pouco menos, para André Ventura.
  • A totalidade das candidaturas é criticada, sem contraporem a sua posição na mesma peça, situação mais frequente em relação a André Ventura.
  • A maioria das candidaturas é representada com voz, tanto em discurso direto como indireto à exceção de André Ventura, Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes, representados sem voz num maior número de peças.
  • Os candidatos à Presidência da República são sempre os protagonistas das peças.
  • As duas candidatas do sexo feminino, Ana Gomes e Marisa Matias, são referidas num quarto das peças.
  • O tema mais abordado na cobertura da campanha eleitoral pelo CM Jornal 20H é o posicionamento dos candidatos tanto sobre a ação do Governo durante a pandemia como a do Presidente da República, esta prolongada na discussão do processo eleitoral e da possibilidade de adiamento das eleições. As apreciações dos desempenhos dos candidatos e descrição das ações de campanha (excessos e críticas mútuas) são o quarto grupo de temas mais frequentes. Os direitos laborais, as reações dos candidatos às suspeitas de vigilância de jornalistas por uma procuradora do Departamento de Investigação e Ação Penal, perfis dos candidatos, o debate sobre o Serviço Nacional de Saúde e a proposta de apoios a empresas e cuidadores informais esgotam os temas.

 

A versão completa do Relatório “Cobertura Jornalística das Eleições Presidenciais 2021 — Televisão” pode ser lida aqui.