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Sobre as Sondagens
Respostas
1.As sondagens e os inquéritos são a mesma coisa?

No. Segundo a Lei das Sondagens so instrumentos distintos, ainda que ambos se enquadrem no mbito dos estudos de opinio. As sondagens utilizam tcnicas estatsticas para garantir que o conjunto de inquiridos (a amostra) representativo de um grupo mais alargado (o universo alvo, por exemplo, indivduos com 18 ou mais anos recenseados em Portugal Continental). Assim possvel generalizar os resultados obtidos para o universo alvo do qual extrada a amostra. J os inquritos, como no visam a representatividade, no permitem generalizaes de resultados, representando apenas a opinio das pessoas questionadas.

2.O que é um barómetro?

Um barmetro uma sondagem que se repete no tempo, com a mesma metodologia e com o mesmo questionrio, e que visa captar a evoluo de determinadas temticas (por exemplo, inteno de voto legislativo ou popularidade dos lderes partidrios) ao longo do tempo. Os barmetros de sondagens so normalmente encomendados e publicados por rgos de comunicao social, sendo os mais frequentes de periodicidade mensal. H mais de duas dcadas que so publicados regularmente na comunicao social portuguesa.

3.Como é possível existirem sondagens idênticas com resultados diferentes?

Na realidade essas diferenas so j esperadas e no retiram validade s sondagens. preciso no esquecer que nas sondagens no se auscultam todas as pessoas dos grupos que se pretendem estudar (por exemplo, os cerca de 9 milhes de eleitores recenseados em Portugal), mas sim amostras de dimenses variadas (500, 600 pessoas, etc.). Isso significa que temos de contar com o erro amostral, isto , a distoro que deriva de se observar parte e no o todo. Assim, os resultados das sondagens podem no coincidir exatamente com os valores que se encontrariam ao auscultar todo o universo (no caso em exemplo, todos os eleitores recenseados), so por isso valores estimados (imaginemos 40% para o partido y).
Atravs de frmulas estatsticas possvel determinar o erro e o intervalo de estimao para os resultados de cada pergunta no qual se dever encontrar, com um determinado grau de probabilidade, o valor real que se obteria aps inquirir os cerca de 9 milhes de eleitores (a ttulo ilustrativo, se o erro calculado fosse de 3%, teramos o intervalo de 37% a 43% para a inteno de voto no partido y). Se repetssemos a sondagem vrias vezes seria de esperar valores mais ou menos em linha com esse intervalo.
No entanto existem outros fatores que podem fazer variar os resultados das sondagens. Por um lado, podem verificar-se diferenas oriundas de enviesamentos relacionados com a seleo das amostras, com o desenho do questionrio ou at com a recolha e anlise dos dados. Por outro lado, e especificamente no caso das sondagens com projees sobre as intenes de voto, podem verificar-se diferenas resultantes da adoo de diferentes modelos de redistribuio dos inquiridos que se afirmaram indecisos ou que no responderam.

4.É verdade que uma amostra maior é sempre melhor que uma amostra menor?

No, mas verdade que as amostras maiores possuem erros amostrais menores. Porm, a questo da fiabilidade prende-se com a qualidade da amostra, pelo que o mais importante no a sua dimenso, mas sim a forma como a mesma construda. Uma amostra enviesada ser sempre uma m amostra por maior que seja o seu tamanho. Efetivamente, a fiabilidade da amostra garante-se quando a seleo dos inquiridos feita de modo rigoroso, de acordo com regras cientficas demonstradas, salvaguardando-se que todos os potenciais respondentes tm chances conhecidas de ser selecionados

5.Como é que as pessoas são escolhidas para participar numa sondagem e por que razão nunca fui contactado?

A seleo das pessoas que participam nas sondagens no feita de modo arbitrrio, tendo antes que respeitar mtodos estatsticos cientificamente validados. Na impossibilidade de auscultar todos os elementos de um grupo que se pretende estudar (o universo alvo, por exemplo, os eleitores recenseados em Portugal), as sondagens baseiam-se em amostras. A construo das amostras difere de empresa para empresa. a forma como estas aplicam e combinam as diferentes tcnicas estatsticas que as distingue e caracteriza.

Relativamente ao contacto com os inquiridos, veja-se a ttulo de exemplo as sondagens polticas com um universo de referncia de cerca de 9 milhes de eleitores recenseados em Portugal. Como em mdia costumam ser inquiridas 900 pessoas por sondagem, apenas um em cada 10 mil eleitores participa na sondagem. Verifica-se ento que para obter a resposta de todos os cerca de 9 milhes de eleitores recenseados em Portugal seria necessrio realizar 10 mil sondagens com amostras de 900 pessoas e apenas no caso de se assumir que uma pessoa no iria responder mais do que uma vez. Ora, neste cenrio a probabilidade de ser inquirido bastante reduzida.

6.Quem faz e quem regula as sondagens?

A Lei das Sondagens estabelece o regime jurdico da publicao ou difuso de sondagens e inquritos de opinio, atribuindo competncias de regulao Entidade Reguladora para a Comunicao Social (ERC) e Comisso Nacional de Eleies (CNE), ainda que a ltima s atue em dias de atos eleitorais ou referendrios e no que diz respeito s condies de realizao de sondagens junto aos locais de voto.

Importa sublinhar que nem todos os estudos de opinio (quer sejam sondagens ou inquritos) so objeto de regulao, mas somente os que se relacionem direta ou indiretamente com temas de cariz poltico (de forma muito sumria, estudos relacionados com rgos constitucionais, eleies e referendos, e foras polticas). A realizao destas sondagens est limitada s entidades credenciadas pela ERC. Esta restrio no se aplica no caso dos inquritos de opinio, desde logo porque estes no obedecem s mesmas tcnicas de elaborao e no tm pretenses de representatividade. Contudo, a Lei das Sondagens obriga a que, na sua divulgao, seja expressamente referido que tais resultados no permitem, cientificamente, generalizaes, representando, apenas, a opinio dos inquiridos.

7.Por que razão as sondagens políticas são reguladas?

A opinio pblica desempenha um papel central no desenvolvimento e na estruturao das sociedades democrticas. Neste sentido, as sondagens permitem fornecer aos cidados uma forma de serem ouvidos, ao mesmo tempo que constituem uma ferramenta importante para os polticos, para os media e para o pblico em geral, no sentido de terem acesso a informaes sobre as opinies e atitudes dos cidados. A utilizao de sondagens, seja por partidos polticos, pela sociedade civil, ou por grupos de interesse e de comunicao, generalizou-se e marca muitas vezes a agenda pblica com potencial impacto nas decises polticas e no comportamento eleitoral. , pois, importante garantir que as mesmas so rigorosas e transparentes de modo a salvaguardar o regular funcionamento da democracia.

8.Vi uma sondagem nos media que não está no site da ERC. A partir de quando é que a posso consultar?

A disponibilizao de depsitos de sondagens para consulta pblica no site da ERC insere-se numa estratgia do Regulador para aumentar a transparncia e potenciar a compreenso pelo pblico das sondagens publicadas. A disponibilizao de sondagens efetuada aps o decurso de 15 dias sobre a data do respetivo depsito, podendo este prazo ser encurtado caso todos os resultados da sondagem sejam publicados antes do final do mesmo. O perodo de embargo de 15 dias aps a realizao do depsito corresponde ao tempo previsto para a realizao da primeira divulgao e visa salvaguardar sobretudo os interesses do cliente do estudo no seu aproveitamento econmico (que em parte reside na novidade dos resultados). O Regulador poder, todavia, decidir no disponibilizar temporariamente um determinado estudo quando esteja em curso um processo de fiscalizao/validao do mesmo.

9.Quais os elementos a que devo estar atento quando me confronto com a publicação de uma sondagem?

Primeiro fundamental garantir que se trata de uma sondagem, pelo que se a mesma for corretamente publicada far-se- acompanhar de um conjunto de elementos que permitir identificar, entre outros, quem fez a sondagem, quem a encomendou, qual o seu universo alvo e o tamanho da sua amostra, quando foi feita e de que forma (Cfr. n. 2 do artigo 7. da Lei das Sondagens). Esse conjunto de informaes, designado vulgarmente pela comunicao social como ficha tcnica, importante tanto para aferir da sua qualidade, como para a sua correta interpretao. No caso das sondagens eleitorais, ser importante verificar se os resultados avanados consideram apenas a inteno direta de voto expressa pelos inquiridos ou se, pelo contrrio, se tratam de projees de voto, nas quais a absteno, os no respondentes e os indecisos so filtrados e/ou distribudos. No caso das projees, ser importante reter que a utilizao de diferentes modelos poder levar obteno de resultados diferentes.

Para compreender os resultados de uma sondagem, de entre as informaes que devem constar da ficha tcnica, deve-se ter particular ateno s margens de erro estatstico, pois esta fornece-nos as balizas em que estima que os resultados reais se encontrem. Assim, por exemplo, para uma projeo de um resultado de 25%, com um erro calculado de 2%, teramos uma variao de dois pontos percentuais, para cima e para baixo, correspondendo ao intervalo de 23% a 27%.

10.O que é e para que serve o período de reflexão eleitoral?

O perodo de reflexo eleitoral corresponde vspera e ao prprio dia da eleio at ao encerramento das urnas. Nesses dias, a Lei de Sondagens probe tanto a divulgao, como a anlise, o comentrio ou a projeo de resultados de sondagens (cfr. artigo 10. do citado diploma).

Por um lado, entende-se que atos de divulgao ou comentrio de sondagens, quando executados num perodo considerado de reflexo, podero ser objeto de repercusso na formao da vontade do eleitor; vontade essa que, numa sociedade democrtica, se quer livre, espontnea e consciente.

Por outro lado, a divulgao de sondagens no prprio dia ou na vspera da eleio no permitiria, pela limitao de tempo, verificar a sua conformidade com a Lei das Sondagens e/ou a retificao atempada dos seus dados em caso de erro. Embora as infraes a esta regra possam ocorrer no dia de ato eleitoral, a competncia para a sua verificao recai sobre a ERC, podendo qualquer interessado apresentar queixa a esta entidade. Diferentemente, a verificao das condies de realizao de sondagens no dia do ato eleitoral, vulgo sondagens boca das urnas, matria cuja competncia est reservada Comisso Nacional de Eleies (CNE).