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Agregação de conteúdos deve apostar na conquista de vários públicos
2009/10/20

Com a cadeia de valor dos média a alterar-se por via da digitalização, os agregadores de conteúdos, como é o caso das televisões, das rádios e da imprensa, também têm de mudar. Um dos caminhos apontados hoje, em Lisboa, pelo consultor Pereira da Costa (Roland Berger), durante a III Conferência anual da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), passa por «uma oferta assente em valores relevantes para o consumidor e posicionada em múltiplos segmentos para satisfazer públicos-alvo distintos».

«Que modelo(s) de negócio para a comunicação social?» era o mote para o segundo painel da iniciativa da ERC, daí que o orador tenha feito mais sugestões para a indústria dos media: verticalização do negócio, nomeadamente, «uma maior entrada na produção de conteúdos», e difusão do mesmo produto através de diferentes plataformas. Pereira da Costa salientou ainda que os novos modelos devem ter por base uma «marca forte» passível de ser estendida a outras áreas de negócio.

Por outro lado, a digitalização e proliferação de plataformas de distribuição também ajudam à crise do sector, pois os produtores passaram a chegar directamente aos consumidores. E estes passaram, eles próprios, a ser produtores de conteúdos. De acordo com Pereira da Costa, a cadeia de valor dos media está então a mudar, sendo 48% do seu valor gerado pela distribuição via internet e televisão.

A convergência digital está, entretanto, na base da estratégia seguida pela Ongoing. Rafael Mora, vice-presidente do grupo que detém o «Diário Económico» e o «Semanário Económico», considerou que a tecnologia, as telecomunicações e os meios de Comunicação Social estão condenados a viverem «intimamente ligados».

Novas formas de negócios e de contacto são então aspectos valorizados pela Ongoing. E ainda outro: «Acesso a uma nova geografia». No caso do grupo presidido por Nuno Vasconcelos, isso implica uma aposta no mercado lusófono – Angola e Brasil foram os primeiros alvos da expansão.

Perante a nova realidade digital, Rafael Mora fez questão de demonstrar que os títulos da Ongoing «são mais do que um jornal», vivendo já hoje um verdadeiro ambiente multimédia.

Aparecendo nas bancas e na internet em plena crise, o projecto «i» dominou a intervenção de Martim Avillez Figueiredo, director do jornal – ou da «marca» de informação, como prefere dizer. Para conseguir oferecer um novo produto, o título procurou responder às fragilidades identificadas pelos leitores em relação aos jornais tradicionais (formato, actualidade, e, sobretudo, composição editorial). Da mesma forma, juntou uma equipa de novos jornalistas, sem vícios antigos, à procura de novas maneiras de pensar a actualidade.

Coube a Joaquim Vieira, jornalista, comentar a mudança de paradigma em curso. Em sua opinião, o «verdadeiro drama» reside no facto de as receitas publicitárias na internet ainda «não cobrirem» os custos relativos à produção de conteúdos.

Independentemente dos jornais, o importante para Joaquim Vieira é a preservação do jornalismo, que «pode existir em qualquer plataforma».

Todos os painéis da III Conferência da ERC serão transmitidos em vídeo via internet.