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Do novo paradigma da Comunicação Social às sondagens
2009/10/22

O novo paradigma da Comunicação Social, impulsionado pela revolução digital, a crise, a imprensa tablóide, a televisão e as sondagens preencheram os dois dias da III Conferência da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que hoje chegou ao fim.

As novas tecnologias e as telecomunicações estão a mudar a face do negócio da Comunicação Social. O primeiro dia dos trabalhos, que decorreram na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, reflectiu, quase na totalidade, isso mesmo. A crise, que também constou do tema de fundo da conferência, mereceu igualmente uma atenção particular na generalidade das intervenções.

Os dois primeiros painéis, que se debruçaram sobre «O Futuro da Mediasfera. Impacto na Regulação» e «Que modelo(s) de negócio para a Comunicação Social», já inclinavam o debate no sentido das referidas reflexões.

O primeiro orador veio dos Estados Unidos da América, mais exactamente do Center for the Digital Future, da USC Annenberg School for Communication. Jeffrey Cole, olhando para o futuro por entre a actual digitalização, vê o negócio da televisão a crescer. Empurrada pelas novas plataformas, com as comunicações móveis a serem destacadas pelo investigador neste processo.

Os restantes meios tradicionais, segundo perspectivou Jeffrey Cole, também resistirão na era digital. No entanto, terão de adaptar-se aos novos modelos para chegar aos consumidores, o que implicará a redução do negócio comparativamente ao presente.

Enquanto comentador, Rui Aguiar, da Universidade de Aveiro, constatou que a actividade da Comunicação Social deixou de ser um exclusivo dos «grandes grupos». Uma realidade que levanta problemas aos reguladores como a ERC, pois os novos meios e as novas formas de comunicar estão a ficar fora da alçada da legislação em vigor.

No segundo painel, o tom das intervenções foi o mesmo. Pereira da Costa, consultor da Roland Berger, deu a receita para que os agregadores de conteúdos, entenda-se televisões, rádios e imprensa, sobrevivam num contexto crescente de digitalização. A aposta em múltiplos segmentos, por forma a chegar a vários públicos, ou a verticalização do negócio, investindo mais na produção de conteúdos, são apenas dois dos caminhos que podem ser seguidos. No mesmo painel, os representantes da Ongoing e do Grupo Lena deram mostras de estar a reflectir nas respectivas estratégias a evolução do sector.

A imprensa tablóide, bem como as revistas de sociedade e do «coração», que serviram de tema ao terceiro painel, fizeram a assistência descansar da crise e do novo paradigma.

Estando em causa um conflito de direitos fundamentais, a liberdade de imprensa, por um lado, e, por outro, a reserva da vida privada, Vieira de Andrade, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, escudado na jurisprudência, fez saber que a solução está «na ponderação dos casos concretos». A conclusão do académico quanto à decisão judicial foi que «umas vezes será favorável a um direito e, outras vezes, será favorável a outro direito».

Os representantes da Impala e do jornal «24 horas» defenderam as suas linhas editoriais, garantindo o cumprimento das regras jornalísticas. Mas Carlos Ventura Martins, director-geral do grupo que edita as revistas «Nova Gente» e «Maria», aproveitou para deixar um desabafo: «As pessoas põem-se muito a jeito para que a sua vida seja invadida».

O debate em torno das televisões pública e privada marcou o arranque do segundo dia da iniciativa da ERC. Guilherme Costa, presidente do conselho de administração da RTP, esteve de um lado e, do outro, apresentou-se Pinto Balsemão, presidente da Impresa.

O primeiro lembrou que o actual sistema público é, de acordo com a lei, «complementar» e «concorrencial» do privado. O segundo queixou-se da «concorrência desleal» da RTP, que, além do financiamento estatal, também obtém receitas no mercado publicitário.

Encerrado o capítulo televisão, abriu-se a discussão em torno das sondagens. Foi então apresentado o estudo «Sondagens e inquéritos de opinião. Diagnóstico e sugestões de medidas a adoptar». Entre as recomendações que são feitas, realce para a necessidade de as empresas incluírem nos questionários perguntas que possam estimar a abstenção.

Representantes do sector, presentes no painel que se seguiu, aproveitaram para defender os seus pontos de vista. António Salvador, presidente da Assembleia-geral da APODEMO (Associação Portuguesa de Estudos de Mercado e Opinião), contrariou aquela proposta do relatório, referindo que não sabe como é que se pode medir a abstenção.