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ERC publica Relatório sobre cobertura televisiva das eleições legislativas de 2019
2020/03/18

Regulador incidiu a análise nos noticiários e programas autónomos de debate e entrevista

ERC publica Relatório sobre cobertura televisiva das eleições legislativas de 2019


A ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social produziu um Relatório que retrata a cobertura jornalística das eleições legislativas de 2019 nos blocos informativos dos canais de televisão RTP1, RTP2, SIC, TVI e CMTV, no período da campanha eleitoral, e a presença das candidaturas em programas autónomos de entrevista e debate nos canais generalistas e temáticos informativos (RTP1, RTP2, RTP3, SIC, SIC Notícias, TVI,TVI24 e CMTV), no período da campanha e na fase de pré-campanha eleitoral.

O acompanhamento da cobertura das eleições legislativas 2019 pela ERC teve por objetivo a identificação das presenças dos partidos políticos candidatos a este ato eleitoral, bem como dos seus representantes (candidatos e outros). A partir da identificação das presenças destas formações pretendeu-se caracterizar a atenção mediática atribuída a cada candidatura que se apresentou a este ato eleitoral, identificando eventuais situações de desequilíbrio no acesso dos candidatos/candidaturas ao espaço mediático.

Além do registo das presenças das candidaturas, a ERC considerou também o enfoque temático evidenciado e o destaque dado à sua cobertura pelos órgãos de comunicação social, nomeadamente observando o tempo que lhe é dedicado nos blocos informativos.

Recorde-se que em períodos eleitorais, por considerar serem aqueles em que a observância do princípio do pluralismo político-partidário assume particular relevância, a ERC acompanha com redobrada atenção a cobertura mediática da informação sobre política nacional.

Em baixo, enumeram-se os principais dados, agrupados por operador, que a ERC extraiu das 966 peças noticiosas analisadas. 

Na RTP1:

  • Registam-se 225 peças com a presença de candidaturas às eleições legislativas que representam 36,4% do tempo total dos noticiários analisados.
  • Estas são maioritariamente peças editadas, estando ausentes peças de opinião e entrevista sendo raras as de análise política. Também não se observa a existência de peças de sátira ou crónica.
  • A maioria dos diretos cobre ações de campanha dos partidos - almoços, jantares, comícios e arruadas.
  • 85% das peças concentram-se em protagonistas das seis candidaturas com deputados eleitos para a Assembleia da República, em 2015.
  • As candidaturas sem representação parlamentar, quando presentes nas peças, tendem a ter voz, seja em discurso direto ou indireto.
  • É patente a saliência da cobertura dada aos presidentes ou secretários-gerais dos partidos com assento parlamentar, sendo destacada esta condição e não a de cabeça de lista por um dos círculos eleitorais.
  • No caso das restantes candidaturas o protagonismo é dividido entre o cabeça de lista e o secretário-geral ou presidente do partido. Divergem deste padrão o PCTP/MRPP, JPP e o MAS, cujas peças analisadas se centram no cabeça de lista; o PTP, representado por um dos seus candidatos; e o Livre que se faz representar, em mais de metade das peças pelo seu fundador, Rui Tavares.
  • Os atores do sexo feminino estão presentes em um quarto das peças.
  • O tema mais abordado ao longo da campanha eleitoral é o do “desempenho dos partidos”, consubstanciado nas críticas intrapartidárias, interpartidárias e de atores externos ao processo eleitoral da ação e da performance dos candidatos. Estas observações podem ser, entre outras, acerca das suas capacidades para responder às questões políticas do país - positivas ou negativas - ou do seu desempenho em debates e encontros partidários.

Na RTP2:

  • Registam-se 74 peças com a presença de candidaturas às eleições legislativas que representam 35% do tempo total dos noticiários analisados. 
  • Estas são maioritariamente peças editadas, estando ausentes peças de entrevista. É residual a presença do registo de comentário e análise política. Não existem peças de sátira ou crónica e peças com recurso a direto.
  • 89% das peças concentram-se em protagonistas das seis candidaturas com deputados eleitos para a Assembleia da República, em 2015. 
  • As candidaturas sem representação parlamentar, quando presentes nas peças, tendem a ter voz, seja em discurso direto ou indireto.
  • É patente a saliência da cobertura dada aos presidentes ou secretários-gerais dos partidos com assento parlamentar, sendo destacada esta condição e não a de cabeça de lista por um dos círculos eleitorais.
  • No caso das restantes candidaturas o protagonismo é dividido entre o cabeça de lista e o secretário-geral ou presidente do partido. Divergem deste padrão o PCTP/MRPP e o PDR cuja única peça analisada se centra no cabeça de lista; e o Livre que se faz representar pelo seu fundador, Rui Tavares.
  • Os atores do sexo feminino estão presentes em cerca de um quarto das peças.
  • O tema mais abordado ao longo da campanha eleitoral é o do “desempenho dos partidos”, consubstanciado nas críticas intrapartidárias, interpartidárias e de atores externos ao processo eleitoral da ação e da performance dos candidatos. Estas observações podem ser, entre outras, acerca das capacidades destes para responder às questões políticas do país - positivas ou negativas - ou do seu desempenho em debates e encontros partidários.

Na SIC:

  • Registam-se 271 peças com a presença de candidaturas às eleições legislativas que representam 38% do tempo total dos noticiários analisados.
  • Estas são maioritariamente peças editadas, destacando-se, no entanto, o peso significativo de peças de análise política. É residual a presença de peças de comentário, entrevista e sátira. Não se observa a existência de peças de crónica.
  • A maioria dos diretos cobre ações de campanha dos partidos - almoços, jantares, comícios e arruadas.
  • 88% das peças concentram-se em protagonistas das seis candidaturas com deputados eleitos para a Assembleia de República, em 2015.
  • As candidaturas sem representação parlamentar têm voz apenas em uma peça, seja em discurso direto ou indireto.
  • É patente a saliência da cobertura dada aos presidentes ou secretários-gerais dos partidos com assento parlamentar, sendo destacada esta condição e não a de cabeça de lista por um dos círculos eleitorais.
  • No caso das restantes candidaturas o protagonismo é dividido entre o cabeça de lista e o secretário-geral ou presidente do partido. Divergem deste padrão o PDR, PURP, RIR, PCTP/MRPP, MAS e PTP cujas poucas peças observadas são protagonizadas pelo cabeça de lista; e o Livre que também se faz representar pelo seu fundador, Rui Tavares.
  • Os atores do sexo feminino estão presentes em um quarto das peças.
  • O tema mais abordado ao longo da campanha eleitoral é o do “desempenho dos partidos”, consubstanciado nas críticas intrapartidárias, interpartidárias e de atores externos ao processo eleitoral da ação e da performance dos candidatos. Estas observações podem ser, entre outras, acerca das capacidades destes para responder às questões políticas do país - positivas ou negativas - ou do seu desempenho em debates e encontros partidários.

Na TVI:

  • Registam-se 287 peças com a presença de candidaturas às eleições legislativas que representam 45% do tempo total dos noticiários analisados.
  • Estas são maioritariamente peças editadas. Destaca-se, face aos outros operadores, a presença de entrevistas a protagonistas das candidaturas dentro do noticiário, assim como a presença de peças do género sátira.
  • A maioria dos diretos cobre ações de campanha dos partidos - almoços, jantares, comícios e arruadas.
  • 91,2% das peças concentram-se em protagonistas das seis candidaturas com deputados eleitos para a Assembleia da República, em 2015.
  • As candidaturas sem representação parlamentar somente têm voz em duas peças, seja em discurso direto ou indireto.
  • É patente a saliência da cobertura dada aos secretários-gerais dos partidos com assento parlamentar, sendo destacada esta condição e não a de cabeça de lista por um dos círculos eleitorais.
  • No caso das restantes candidaturas o protagonismo é dividido entre o cabeça de lista e o secretário-geral ou presidente do partido. Divergem deste padrão o Livre, MAS, PCTP/MRPP, PDR, PPM e PNR cujas peças analisadas se centram no cabeça de lista; o PTP e o JPP que são representados por um dos seus candidatos.
  • Os atores do sexo feminino estão presentes em um quarto das peças.
  • O tema mais abordado ao longo da campanha eleitoral é o do “desempenho dos partidos”, consubstanciado nas críticas intrapartidárias, interpartidárias e de atores externos ao processo eleitoral da ação e da performance dos candidatos. Estas observações podem ser, entre outras, acerca das capacidades destes para responder às questões políticas do país - positivas ou negativas - ou do seu desempenho em debates e encontros partidários.

Na CMTV:

  • Registam-se 109 peças com a presença de candidaturas às eleições legislativas que representam 28% do tempo total dos noticiários analisados. 
  • Estas são maioritariamente peças editadas, destacando-se, no entanto o peso significativo de peças de comentário. As peças de análise política e entrevista são residuais. Não se observa a existência de peças de sátira ou crónica.
  • Os diretos cobrem ações de campanha dos partidos - almoços, jantares, comícios e arruadas.
  • 94,6% das peças concentram-se em protagonistas das seis candidaturas com deputados eleitos para a Assembleia da República, em 2015.
  • Aliança, CHEGA, Livre e Iniciativa Liberal, são as únicas candidaturas sem representação parlamentar representadas nos blocos considerados e são sobretudo representadas sem voz.
  • É patente a saliência da cobertura dada aos secretários-gerais dos partidos com assento parlamentar, sendo destacada esta condição e não a de cabeça de lista por um dos círculos eleitorais.
  • Os atores do sexo feminino estão presentes em um quarto das peças.
  • O tema mais abordado ao longo da campanha eleitoral é o do “desempenho dos partidos”, consubstanciado nas críticas intrapartidárias, interpartidárias e de atores externos ao processo eleitoral da ação e da performance dos candidatos. Estas observações podem ser, entre outras, acerca das capacidades destes para responder às questões políticas do país - positivas ou negativas - ou do seu desempenho em debates e encontros partidários.

 

Em baixo, enumeram-se os principais dados que a ERC extraiu da análise conduzida aos programas autónomos de debate e entrevista na RTP1, RTP2, RTP3, SIC, SIC Notícias, TVI, TVI24 e CMTV:

 

  • Foram emitidas 37 entrevistas a candidatos ou representantes de candidaturas à Assembleia da República.
  • A RTP1 foi o serviço de programas que mais entrevistas exibiu (18), seguindo-se a SIC (8), a CMTV (6) e a TVI (com transmissões em simultâneo com a TVI24) (5). A RTP2 e a RTP3 não transmitiram quaisquer entrevistas.
  • PAN, CDS-PP e BE foram os partidos com maior número de entrevistas (6), seguindo-se a coligação CDU, o PSD e o PS (5 cada).
  • Entre os partidos sem representação parlamentar apenas o Aliança, o IL, o Livre e o PDR foram entrevistados (1 entrevista cada), em particular pela SIC.
  • A RTP1, a SIC, a CMTV e a TVI, em simultâneo com a TVI24, realizaram entrevistas aos candidatos de todos os partidos com representação parlamentar, com exceção da CDU no caso da TVI e do PS e PSD na SIC.
  • Foram realizados 32 debates com a presença de candidatos ou representantes de candidaturas à Assembleia da República.
  • A RTP (RTP1 e RTP3) exibiu 14 debates, contando com a presença dos cabeças de lista dos partidos com assento parlamentar PSD e PS (6 cada), BE, CDS-PP e PAN (5 cada) e CDU (3). O operador público também emitiu debates com a participação de todos os representantes das candidaturas sem representação parlamentar.
  • Os serviços de programas do grupo Media Capital (TVI e TVI24) exibiram 13 debates, contando com a presença de cabeças de lista dos partidos com assento parlamentar PSD (8), PS (7), PAN e CDS-PP (5 cada), BE (4) e CDU (5). Este operador também emitiu debates com a participação de todos os representantes das candidaturas sem representação parlamentar.
  • O grupo Impresa (SIC e SICN) garantiu a emissão de debates com a presença de representantes de candidaturas com assento parlamentar mas não exibiu qualquer debate com a presença de partidos sem assento parlamentar.
  • A RTP2 e a CMTV não realizaram qualquer debate com a presença de candidatos ou representantes de candidaturas em período de pré campanha e campanha eleitoral.

 

Disponibiliza-se aqui a versão completa do Relatório “Cobertura Jornalística das Eleições Legislativas 2019 – Televisão”.

 

Lisboa, 18 de março de 2020