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Estudo sobre sondagens avalia resultados atribuídos aos partidos nas eleições dos últimos anos
2009/10/21

O PS tende a ser sobreavaliado nas projecções eleitorais, o que foi particularmente visível nas europeias deste ano, ao passo que o PSD apresenta resultados muito próximos da realidade. São conclusões que se extraem a partir do estudo «Sondagens e inquéritos de opinião. Diagnóstico e sugestões de medidas a adoptar», apresentado hoje, em Lisboa, na III Conferência da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

O estudo abarca 38 sondagens publicadas na semana anterior a vários actos eleitorais, começando nas legislativas de 2005 e acabando nas europeias deste ano. Tendo por base as projecções então feitas, com excepção das presidenciais de 2006, conclui-se que, «com excepção das eleições legislativas de 2005 e das autárquicas de 2005 no Porto, os resultados para o PS tenderam a ser sobreavaliados nas restantes eleições, sobretudo no que respeita às eleições europeias de 2009».

Helena Nicolau, da Universidade de Lisboa, que partilhou a apresentação do estudo com Vidal de Oliveira, da Escola Superior de Comunicação Social, e Fernando Cascais, director do Cenjor, considerou os resultados para o PSD «bastante razoáveis». No documento, é pormenorizado que os sociais-democratas «tenderam a ser subavaliados nas eleições autárquicas de 2005 de Lisboa, e ligeiramente sobreavaliados nas projecções para as eleições legislativas de 2005».

Relativamente ao CDS, trata-se de um partido «subavaliado» em todas sondagens e projecções. PCP e BE também apresentam resultados muito próximos da realidade, mas com algumas «nuances». No caso do Partido Comunista, o estudo considera-o «ligeiramente subavaliado» em todas as projecções, enquanto o Bloco de Esquerda aparece «ligeiramente sobreavaliado» nas autárquicas de 2005, em Lisboa e no Porto.

O estudo faz uma série de recomendações, entre elas, que as empresas de sondagens façam sempre perguntas para estimar a abstenção, uma vez que a sua ausência poderá «enviesar» os resultados; que a ficha técnica publicada nos órgãos de comunicação social seja significativamente reduzida; e que os resultados deixem de ser indicados em valores percentuais com decimal, o que «dá uma ideia de rigor que a sondagem não possui».

António Salvador, presidente da Assembleia-geral da APODEMO (Associação Portuguesa de Estudos de Mercado e Opinião) e orador no painel «Sondagens e jornalismo. Práticas e boas práticas», apontou as sondagens «à boca das urnas» como uma forma de avaliar a qualidade do trabalho feito pelas empresas, onde há desvios que chegam a ser na ordem dos 0,2%. No que respeita à abstenção, António Salvador assume: «não sei medir a abstenção».

Falando em nome de um grupo de empresas credenciadas na ERC, Jorge Sá lembrou, por seu turno, que «as sondagens não são uma bola de cristal, nem uma arma de arremesso político». Referia-se às reacções políticas que ocorreram em relação às previsões para as últimas europeias. Estimativas que ficaram relativamente longe da realidade. Jorge Sá aproveitou, ainda, para apelar à possibilidade de se avançar para as amostras aleatórias com base no recenseamento eleitoral.

Para Ricardo Costa, director-adjunto do Expresso, a discussão em torno das sondagens está a ser levada para o centro do debate político, circunstância que «prejudica qualquer capacidade de análise», ainda para mais numa conjuntura em que há um Governo minoritário. Apesar de algumas previsões não terem corrido bem, como sucedeu nas europeias, o jornalista realçou que as sondagens acertaram de uma forma genérica nas recentes legislativas.

Todos os painéis da III Conferência da ERC serão transmitidos em vídeo via internet.