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Televisão cresce «dramaticamente» na era digital
2009/10/20

A televisão deverá ser o único meio de comunicação a crescer «dramaticamente» na era digital, graças à sua adaptação às novas plataformas, designadamente às comunicações móveis. Esta é a forma como Jeffrey Cole, director do Center for the Digital Future, da USC Annenberg School for Communication (EUA), antevê o futuro dos media.

Na sua intervenção na III Conferência da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o investigador referiu ainda que nenhum «mass media» tradicional desaparecerá com a nova realidade digital, mas todos eles terão de se adaptar às novas circunstâncias – os jornais em papel, por exemplo, terão muita dificuldade em manter o seu modelo de negócio. Todos os negócios de media deverão encolher, a televisão será a única excepção.

Jeffrey Cole interpretou alguns dos dados resultantes de um estudo sobre a internet que está a coordenar, há nove anos, em trinta países, dos Estados Unidos à Ásia, passando pela Europa.

Apesar do crescimento dos meios digitais, o estudo demonstra que, entre 2000 e 2005, os utilizadores recusavam-se a pagar os conteúdos consumidos. Segundo também revelou Jeffrey Cole, cada lar nos EUA passou a gastar cerca de 300 dólares por mês em serviços que não existiam há uma geração, como a internet ou os telemóveis. Defendeu ainda que a publicidade deverá manter-se como uma fonte financiamento, embora tenha que se adaptar às novas regras do digital.

No mesmo painel, Nobre Correia, professor da Universidade Livre de Bruxelas, traçou um quadro histórico da crise na Comunicação Social. Uma crise que, associada à quebra do investimento publicitário, a internet ajudou a agravar. No caso da imprensa escrita em particular, o professor assinalou que o potencial do novo meio foi inicialmente negligenciado.

Cometeu-se igualmente o erro de pensar que os anúncios na «net» compensariam a perda de receitas publicitárias no suporte de papel. Nobre Correia estima que os primeiros valham um décimo das segundas. Uma má notícia para os jornais.

A boa notícia fica para os jornalistas: a sua função, apesar de todas as transformações, «continua a fazer todo o sentido», face às suas competências e técnicas, além de aspectos como o rigor.

Rui Aguiar, professor do Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática (DETI), da Universidade de Aveiro, constatou, por seu turno, que a Comunicação Social encontra-se numa «grande encruzilhada». Isto porque ela «já não é apenas de grandes grupos». A tecnologia actual permite que o negócio seja feito por estruturas mais pequenas.

Ao nível da regulação colocam-se igualmente novos desafios, pois a escrita, como a dos blogues, a rádio e a televisão podem ser difundidas fora dos meios tradicionais, os únicos que são abrangidos pela legislação.

Todos os painéis da III Conferência da ERC serão transmitidos em vídeo via internet.